CLIPPING LITERATURA

O Bairro que é de primeira
Livro da série "Cantos do Rio", do jornalista Cláudio Henrique, fala da história e magia de Botafogo e cita vários bares e restaurantes do POLO

Bairro de passagem é o Catete. O trocadilho, que dá título a um dos capítulos de seu livro, é o recurso usado pelo jornalista, compositor e professor Cláudio Henrique para convencer o leitor de que Botafogo é muito mais do que o caminho para os vizinhos mais sofisticados da Zona Sul. Com 39 anos vividos no bairro, um dos mais aprazíveis lugares para se morar no Rio do século 19, o autor recuperou em sua pesquisa a história de recantos como a enseada e ruas tradicionais como Real Grandeza para o volume dedicado a Botafogo no projeto Cantos do Rio.

Produzido pela Prefeitura da cidade em parceria com a editora Relume Dumará, o livro Botafogo - O Patinho Feio da Cidade (122 págs, R$ 15) foi lançado no Espaço Cultural Sérgio Porto.

“A obra é uma brincadeira e defende o bairro de forma leve e bem-humorada”, conta o autor. Nascido e criado no bairro, Cláudio Henrique refere a si mesmo como um “colecionador viciado em livros sobre o Rio”. Além da experiência vivida nas ruas de Botafogo e do “obsessivo garimpo” em sebos e livrarias, Cláudio coletou um mosaico de declarações para formar uma imagem nítida e realista do passado e do presente do bairro.

No livro, o autor conta que foi nas imediações de Botafogo que Estácio de Sá vislumbrou e fundou a cidade. O bairro também foi o local escolhido para morar por Carlota Joaquina, esposa do rei português D. João VI, quando a corte portuguesa se refugiou no Brasil, fugindo das tropas de Napoleão que invadiam Portugal. Além dos fatos históricos, o autor também conta curiosidades sobre o bairro. Foi ali que surgiu a palavra gari para denominar os responsáveis pela limpeza das ruas. Também foi em Botafogo que o carioca conheceu a escada rolante – a primeira do país –, na loja de departamento Sears, que ficava onde hoje é o Botafogo Praia Shopping.

Cláudio Henrique descreve os vestígios do auge do bairro, com imensos casarões e finas damas, e relata os “históriocídios” sofridos ao longo dos anos. Muito da arquitetura inicial foi destruida para dar lugar a imensos prédios. “Não sou contra a modernidade, mas deve-se ter um critério para não apagarmos o passado”, argumenta.

Jornal O Dia - publicado em 13/12/04

 

 

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