CLIPPING SEGURANÇA
Botafogo
receberá plano de segurança
William Helal Filho
Um novo plano de segurança
vai dividir Botafogo em quatro sub-áreas.
Cada uma delas terá um carro cujos policiais
estarão ligados, por meio de aparelhos
de rádio Nextel, a porteiros de empresas
em sua circunscrição. O projeto
Vigia, que começa a funcionar no próximo
dia 17, é fruto de uma parceria da Associação
Empresarial de Botafogo (Aseb) com a Secretaria
estadual de Segurança Pública (Sesp).
O acordo entre a entidade privada e o órgão
público prevê ainda, para o início
do ano que vem, a instalação de
16 câmeras no alto de prédios do
bairro, nos moldes do sistema de vigilância
hoje em funcionamento no 19 BPM (Copacabana).
Para isso, afirma Marcelo Ferreira, vice-presidente
da Aseb, só falta a autorização
do governo estadual para que os empresários
apliquem a renúncia fiscal prevista na
Lei estadual 4.180, de setembro de 2003, permitindo
o investimento de parte do ICMS em projetos de
segurança. - As câmeras serão
instaladas no ano que vem. Mas o primeiro desafio
é o projeto Vigia - diz o comandante do
2 BPM (Botafogo), tenente-coronel Romão
Vilaça. Não é a primeira
vez que os empresários se unem para combater
a violência e seus efeitos negativos em
Botafogo. Este ano viu surgir um pólo gastronômico
no qual donos de restaurante se uniram para, entre
outros objetivos, dar mais segurança a
seus clientes. Na área de Furnas, a estatal
e outras empresas estão formando uma entidade
para cobrar mais segurança. O objetivo
de tudo isso é parar a escalada da criminalidade
no bairro, que nos últimos anos foi cenário
de crimes como o assassinato de uma funcionária
da Dataprev, em junho do ano passado.
Pólo analisa integrar vigias Pelo menos
outras duas iniciativas de empresários
estão em curso para melhorar a segurança
no bairro. Fundado este ano, o Pólo Gastronômico
de Botafogo, que reúne donos de restaurantes,
estuda integrar os vigias dessas casas por meio
de aparelhos de rádio. Ainda em formação,
a Associação do Quadrilátero
de Furnas (Aquafur) já tem como um dos
objetivos principais dar mais segurança
ao entorno da estatal, onde há diversas
empresas e entidades. - O projeto Vigia vai deixar
o bairro mais seguro. E qualquer proposta de melhorias
na vigilância é bem-vinda. Botafogo
tem sérios problemas nessa área
- afirma o empresário Leonardo Feijó,
sócio da Casa da Matriz. O estabelecimento
é o único a fazer parte das três
entidades. A Casa da Matriz nunca foi assaltada,
mas Feijó, sim. Bandidos armados levaram
seu carro há cerca de três anos na
Rua General Severiano. Além disso, diz
ele, o clima de violência atrapalha o movimento
da casa noturna. Roubos e furtos de carros são
dois dos principais problemas de segurança
da área de Botafogo. Em agosto, o 2 BPM
registrou o quarto maior índice de furtos
de veículos entre os 39 batalhões
da PM. Foram 86 carros levados por bandidos, que
atuam principalmente nas ruas internas e secundárias.
Nas maiores vias, como a Praia de Botafogo, o
principal problema são os roubos a pedestres
cometidos por menores de rua.
PM vai dar curso para porteiros O plano de segurança
em Botafogo é inspirado no projeto Vigia
da Barra da Tijuca. Serão distribuídos
dez aparelhos Nextel entre firmas cadastradas
pela Aseb. Antes de o projeto ir para as ruas,
os porteiros indicados a operar os rádios
receberão treinamento de segurança
da Polícia Militar. Serão orientados
sobre como identificar pessoas e atitudes suspeitas.
- Um carro com três homens parado por horas
em frente a uma universidade é algo incomum.
Vamos incutir essa desconfiança nos porteiros
que, dessa forma, serão nossos olhos para
esse tipo de coisa - diz Vilaça. O Corpo
de Bombeiros, a Guarda Municipal e o Hospital
Rocha Maia também terão rádios
ligados ao projeto. Os limites das quatro sub-áreas
onde atuará cada radiopatrulha ainda não
foram definidos, mas o tenente-coronel Vilaça
sugere alguns pontos de referência que ajudam
a visualizar um esboço dessa divisão:
a Rua Farani, o Centro Empresarial Mourisco, o
Largo dos Leões e a 10 DP (Botafogo). Três
carros da PM e um da delegacia local circularão
por essas áreas. O 2 BPM será responsável
pela parte prática do projeto Vigia, cuja
administração fica a cargo da Aseb.
Um colegiado com representantes de empresas e
órgãos participantes vai escolher
as firmas cujos funcionários receberão
aparelhos de rádios com faixas da polícia,
do hospital, dos bombeiros e da guarda.
Fonte: Jornal "O Globo"
- Caderno Zona Sul, edição de 04.11.2004
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